2' Minutos para mudar de vida

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Módulo 2

Tabaco

O lar é território sagrado: na própria casa cada um faz o que bem entender. E quando se acende um cigarro? Teremos o direito de o fazer onde nos apetecer? Quais os riscos para quem não fuma?
Cada vez que um fumador acende um cigarro aumenta o seu risco de cancro do pulmão mas não só, já que o tabaco causa ainda outros 13 tipos de cancro diferentes: boca, faringe, laringe, esófago, fígado, pâncreas, estômago, rim, cólon e recto, bexiga, ovário, colo do útero e leucemia mielóide aguda. E ainda várias doenças como insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, aneurisma da aorta, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), diabetes, osteoporose, artrite reumatóide, cataratas, pneumonia e tuberculose. Contudo, apesar dos riscos, cada um é soberano na decisão de acender mais um cigarro. O direito a fumar não está em causa, ainda que se espere que essa escolha seja resultado de uma decisão informada, que reconheça todas as consequências do tabaco na saúde.  
O assunto muda radicalmente quando um fumador decide acender o cigarro na presença de outras pessoas, num espaço fechado. Como é óbvio, fumar liberta fumo no ar – o fumo ambiental, uma potente mistura com mais de 7000 químicos tóxicos. Mas o que não é tão óbvio é que parte desse fumo é inalado involuntariamente por todos aqueles que estejam no mesmo local. O fumo passivo é um problema invisível: a maioria desse fumo não se vê, o que dificulta a percepção do risco.
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O tabaco mata quem fuma, mas também quem nunca o fez: o fumo passivo é responsável por 1 em cada 8 mortes causadas pelo tabaco. Das 8 milhões de mortes anuais causadas pelo tabaco em todo o mundo, 1,2 milhões dizem respeito a pessoas que não fumavam. Os efeitos do fumo passivo são particularmente perversos em bebés e crianças: os filhos de fumadores ficam doentes mais vezes, desenvolvem mais infecções pulmonares, mais episódios de asma, e apresentam mais frequentemente tosse e falta de ar. Nos casais onde apenas um dos cônjuges é fumador, o risco do(a) parceiro(a) desenvolver cancro do pulmão aumenta 20 a 30%, enquanto que a exposição ao fumo passivo no local de trabalho aumenta esse risco entre 12 a 19%. 
Existem dois caminhos para reduzir drasticamente o número de vítimas do fumo passivo. O primeiro depende dos fumadores, que não devem fumar na presença de outras pessoas, particularmente crianças e jovens. Além disso, devem optar por fumar em espaços abertos, o que implica nunca fumar em casa, nem mesmo à janela, ou dentro do carro. O segundo caminho implica que todos os não fumadores evitem ao máximo estar no mesmo local onde alguém esteja a fumar, ou em locais onde se fume regularmente. O fumo não desaparece após o cigarro ter sido apagado e pode depositar-se em objetos como tapetes ou brinquedos.
Existe ainda outra possibilidade para os fumadores – deixar de fumar. Não é uma opção fácil, mas existem consultas de cessação tabágica que facilitam o processo:

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Que fumar faz mal, todos sabem. E se for só um cigarrinho de vez em quando, será seguro?  Haverá alguma forma de fumar sem riscos?
A relação causa-efeito entre o tabaco e o cancro do pulmão é uma evidência médica incontestável: fumar causa mais de 85% dos casos de cancro do pulmão - o mais frequente e mortal no mundo. Mas fumar causa ainda outros 13 tipos de cancro, o que explica que o tabaco seja a principal causa de morte por cancro. 

Mas se as consequências do tabaco para quem fuma regularmente são conhecidas e amplamente divulgadas em anúncios e embalagens de cigarros, não se pode dizer o mesmo dos riscos para quem fuma ocasionalmente, isto é, menos de 10 cigarros por dia. Ao contrário de uma guloseima ocasional ou um excesso alimentar nos dias de festa, no tabaco não existe limite mínimo de segurança: um único cigarro é suficiente para induzir mutações que podem originar cancro:
  • Basta fumar 1 cigarro por dia para aumentar em 64% o risco de morte prematura, e esse risco triplica quando se fuma 10 cigarros por dia.
  • Fumar 1 a 4 cigarros por dia determina um risco aumentado em 2,8 vezes de morte por doença isquémica do coração e um risco aumentado em 3,8 vezes de morte por cancro do pulmão.
As notícias trazidas pelos mais recentes resultados de investigação desmistificam por completo a ideia de que se for “só um cigarro de vez em quando” - quando se sai à noite, ou nos momentos de maior stress - não há perigo. E não é por fumar derivados de tabaco que o cenário muda: cigarrilhas, charutos, cachimbo, tabaco de mascar ou enrolar, narguilé causam malefícios semelhantes aos dos cigarros normais. 
Feitas as contas, a equação dos riscos do tabaco é bastante simples, entre fumar muito e fumar pouco o ideal é mesmo largar o tabaco. E quem “só fuma um de vez em quando”, não pode dizer que “não fuma”. Fumar ocasionalmente pode não ser tão prejudicial como fumar frequentemente, mas basta um cigarro para o risco disparar. Não fumar implica largar de vez o cigarro, ou o charuto ou a cigarrilha. Pode não ser fácil, mas os benefícios são tanto maiores quanto mais cedo se deixa de fumar. Deixar de fumar antes dos 40 anos permite uma redução de 90% do risco de morrer de doenças relacionadas com o tabaco. E mesmo para aqueles que tiveram um diagnóstico de cancro, parar de fumar reduz o risco de morte entre 30 a 40%. 

Se pretende deixar de fumar procure a ajuda do seu médico de família, que o poderá informar sobre as alternativas mais eficazes, por exemplo,  uma consulta de cessação tabágica:

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É uma pergunta de resposta dificílima. Embora as mensagens sejam simples, a prevenção do cancro exige uma mudança de comportamentos, muitos deles enraizados nos hábitos e na cultura. Diz a Organização Mundial de Saúde que conseguiríamos reduzir a mortalidade por cancro para metade se adotássemos um estilo de vida saudável e preveníssemos a obesidade. As estimativas apontam para uma redução da ordem dos 70% se somarmos a adesão aos rastreios nas idades adequadas e o conhecimento da história familiar de cancro. Isto são ótimas notícias mas existem entraves à sua concretização. Por um lado, o tema cancro é ainda um tema tabu, do qual evitamos falar abertamente. Esta “reserva” dificulta o aumento de literacia sobre o cancro por parte das pessoas. Depois, expomo-nos cada vez mais aos fatores de risco: por exemplo, o consumo de tabaco e de álcool tem aumentado em certos grupos etários. Por fim, as taxas de cumprimento dos planos de rastreio são assustadoramente baixas. Em Portugal existem perto de 1/3 de mulheres em idade adulta que nunca fez uma mamografia e a mesma proporção nunca fez um único exame de Papanicolaou! As taxas de colonoscopias são igualmente muito baixas. No caso do cancro da pele, os fatores culturais são fortíssimos e sobrepõem-se ao risco apregoado de melanoma. As “férias de praia”, com padrões de exposição excessiva ao sol, bem como os modelos de beleza em voga, que privilegiam as peles morenas, fazem-nos ignorar os perigos e a gravidade do melanoma. Ignorar a informação torna a prevenção de cancro muito difícil, mas mudar a situação só depende de ti.

Em 2007 foi aprovada a Lei do Tabaco (Lei n.º 37/2007), que entrou em vigor em 2008, e que passou a proibir que se fumasse em espaços públicos fechados, como locais de trabalho, restaurantes, transportes, locais de diversão e centros comerciais. A lei sofreu algumas alterações, e nos últimos anos passou também a restringir o uso de produtos equiparados a cigarros (cigarros eletrónicos ou novos produtos que produzem aerossóis, vapores, gases ou partículas inaláveis) em locais públicos fechados. No entanto, ainda existem espaços públicos onde é possível fumar, já que a lei inclui algumas exceções, como a criação de salas exclusivamente destinadas a fumadores, que devem estar separadas fisicamente das restantes divisões, ser claramente sinalizadas, ter uma lotação máxima pré-determinada, cumprir regras de ventilação com extração de ar para o exterior, e não terem serviço de bar e restauração.

Debate sobre direitos e deveres de fumadores


Como percebeste no episódio “Porque tens que te meter no meu prazer de fumar?”, a decisão de acender um cigarro onde nos apetece pode gerar algumas discussões. Será que temos o direito de fumar onde nos apetecer, ou o Estado devia limitar os locais e situações onde podemos fumar livremente?

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Prepara um debate na tua turma onde este tema possa ser discutido, considerando todos os argumentos a favor e contra.

Duração: 45 minutos x 2 debates

Como fazer?

1. Antes do debate deverás fazer uma pesquisa sobre o tema e reflectir sobre ambas as posições, a favor de restrições, ou em defesa das liberdades individuais. Poderás discutir o assunto com fumadores e não-fumadores, ou procurar mais informação online ou em bibliotecas.
2. O debate será feito na sala de aula, e as moções a discutir são as seguintes:
2.1. O governo deveria proibir fumar em espaços públicos; 
2.2. Não devia ser permitido fumar dentro de casa quando se vive com outras pessoas.
3. Divide a turma por 6 grupos, de acordo com a tabela abaixo (a posição de cada grupo será definida por sorteio no momento, e não antes!):

Debate da Moção 1: Grupo 1 – A favor
Grupo 2 – Contra
Grupo 3 – Júri
Debate da Moção 2: Grupo 4 – A favor
Grupo 5 – Contra
Grupo 6 – Júri
 
4. O professor deverá explicar as regras do debate, gerir as intervenções e os tempos e, no final, sintetizar as posições de cada um dos grupos.
5. O Grupo de Júri deverá avaliar as intervenções do Grupo e favor e do Grupo Contra de acordo com a seguinte Grelha:

Grelha de análise das intervenções:

Critério 1 ponto 2 pontos 3 pontos
Compreensão Não parecem compreender o assunto. Compreendem o assunto, mas não em profundidade. Compreendem o assunto em profundidade.
Argumentação Ausência de argumentos bem definidos e convincentes.
Apresentação pouco focada no assunto.
Uso de alguns argumentos razoavelmente convincentes. Apresentação mais ou menos focada no tema. Uso de argumentos muito convincentes, bem estruturados e variados.
Apresentação focada no tema.
Evidência Sem recurso a fontes, referências, dados ou informação de suporte. Recurso a algumas fontes, referências, dados ou informação de suporte. Uso completo de fontes, referências, dados ou informação de suporte.
Clareza Apresentação pouco clara e/ou confusa.
Ausência de introdução sobre o assunto.
Apresentação moderadamente clara e com  lguma estrutura. Ausência de introdução sobre o assunto. Apresentação muito clara e bem estruturada.
Introdução sobre o assunto.
Rebate Respostas pouco esclarecedoras na resposta às perguntas. Respostas satisfatórias na resposta às perguntas. Respostas completas e convincentes na resposta às perguntas.

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