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Módulo 4

Álcool

“É só mais um copinho…”, “Prometo que é o último…”, “Isto quase não tem álcool!”. Será que com tantos eufemismos sobre o consumo de álcool, não há motivos de preocupação? Quais os riscos de cada bebida a mais?
É comum destacar certos povos como grandes consumidores de bebidas alcoólicas – os alemães e as suas enormes canecas de cerveja, os russos e os seus incontáveis shots de vodka - mas não é preciso ir tão longe. Portugal é o país do mundo que mais vinho consome por ano (per/capita), e ainda marca presença frequente nos lugares cimeiros dos rankings mundiais de consumo de bebidas alcoólicas. 
O problema é que consumo de álcool é responsável por 3,3 milhões de mortes, por ano, em todo o mundo. Além disso, um quarto das mortes nos jovens é causada pelo álcool. O álcool está identificado como um carcinogéneo humano de Grupo 1 - a categoria máxima atribuída pela Agência Internacional para a Investigação em Cancro (IARC), a instituição de referência nestas avaliações. A evidência científica é inequívoca: o consumo de álcool aumenta o risco de cancro da boca, faringe, esófago, laringe, mama, colorretal e fígado.
“Só mais um copinho”, pode ser um copo a mais, já que não existe nenhum nível seguro de consumo, basta uma bebida para aumentar o risco.  Para quem não quer arriscar, o ideal é optar por bebidas sem álcool. E quem acha que as bebidas alcoólicas mais leves não são problemáticas, está enganado. O álcool é todo igual, independentemente de ser consumido numa cerveja ou num copo de vodka. É óbvio que para o mesmo volume de bebida, as quantidades são muito diferentes: beber meio litro de cerveja (5%) não é igual a beber meio litro de uma bebida branca (40%). No primeiro caso ingerem-se 25 ml de álcool puro e no segundo 8 vezes mais (200ml). 
Para quem não dispensa um copo ocasionalmente, existem recomendações que determinam as quantidades que não devem ser ultrapassadas: as normas portuguesas e internacionais limitam o consumo diário a 20 ml de álcool puro para homens e 10 ml de álcool para mulheres. 
Mas há que ter atenção às contas: não vale beber tudo no mesmo dia, a prática de binge drinking (mais de 5 bebidas de uma vez só) aumenta consideravelmente o risco. Quem bebe deve espaçar o consumo em pelo menos 3 dias diferentes da semana. 
Finalmente, há que ter particular atenção que o consumo de álcool representa um perigo adicional para os fumadores. A junção dos 2 comportamentos ultrapassa a soma dos riscos isolados do tabaco e do álcool. Vários estudos comprovam que beber e fumar tem um efeito sinérgico sobre o risco de cancro do fígado, boca e faringe.

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Tanto fumar como beber causam diversos danos à saúde, e isso é algo que já quase todas as pessoas sabem. O que é menos conhecido é que há um efeito sinérgico entre as duas substâncias, ou seja, os malefícios da combinação de álcool e tabaco são maiores que a soma das partes, ou a soma dos malefícios de cada um deles isoladamente. Vários estudos comprovam que beber e fumar tem um efeito sinérgico sobre o risco de cancro do fígado, boca e faringe.

Apesar de existir essa ideia generalizada na população, que um copo de vinho é benéfico para o coração, essa informação não é verdadeira nem é suportada por evidência científica robusta. Apesar da ingestão de maiores quantidades de álcool, e em período mais concentrados de tempo, ser mais prejudicial à saúde do que quantidades moderadas, o que se sabe é que qualquer dose de álcool, ainda que pequena, pode ter um efeito nocivo no organismo. Aliás, se calcularmos a quantidade de álcool contida num copo de vinho - 16,8 ml, num copo de 120 ml - rapidamente chegamos à conclusão que só num mês estaríamos a ingerir meio litro de álcool puro.

Campanha de informação dos malefícios do álcool


Neste módulo tiveste oportunidade de assistir ao episódio “Só mais um copinho?”, onde um conjunto de heróis revolucionários toma conta de uma tipografia clandestina para produzir cartazes de informação contra o álcool, motivados por uma campanha oficial do Estado Novo de promoção do vinho nacional (que aconteceu realmente nas décadas de 30 e 40 do século passado!).

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Assim como os protagonistas, também tu podes criar a tua própria campanha, com os teus slogans e com as mensagens que consideras mais importantes.

Duração: 45 minutos de trabalho em aula + trabalho autónomo

Como fazer?

1. Investiga os dados sobre o álcool em fontes fidedignas (dica: espreita os links escolhidos para ti na secção “Explorar” e, já agora, há muita informação importante na secção “Saber+” e nos videos de introdução e discussão...);
2. discute com o teu professor o que descobriste e avalia a relevância da informação;
3. junta-te em grupo com os teus colegas e explora os diferentes recursos e formatos possíveis para a tua campanha: cartazes, videos, websites, posts/memes online, anúncios de rádio, etc.
4. Cria as tuas mensagens de forma rigorosa mas também apelativa: afinal estás a fazer uma campanha de informação para influenciar o maior número de pessoas possível! Deixamos-te algumas sugestões de temas e abordagens possíveis:
• Expôr os números do consumo de álcool, concretamente de Portugal quando comparado com outros países, através de representações simbólicas e/ou comparações;
• Mostrar as doenças causadas pelo álcool e os números da incidência e mortalidade;
• Desvendar o álcool “escondido” nas bebidas comuns, calculando a quantidade de álcool através da % vol. e da quantidade comum de cada bebida;
• Expôr os mitos associados aos “benefícios” do álcool que existem na sociedade e são promovidos por grupos específicos;
• Seguindo a mesma estratégia dos protagonistas do episódio, podes habilmente apropriar-te das mensagens, slogans e estilo publicitário das marcas de bebidas alcoólicas para criares a tua própria anti-campanha (dica: este tipo de estratégia só funciona se referenciar algo que seja facilmente identificável por todos!)
• Pensa fora-da-caixa!
5. Organiza com a tua escola e o teu professor uma forma de apresentação/divulgação dos materiais produzidos pela turma, idealmente organizados como uma campanha coerente.



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