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Módulo 9

Rastreios

A implementação do exame de rastreio do cancro do colo do útero tornou-o um dos cancros mais simples de prevenir. Contudo, ainda há mulheres que não o fazem regularmente. Será que é um exame que se pode adiar? Quais as vantagens de o fazer regularmente?
O cancro do colo do útero é causado pelo vírus do papiloma humano (HPV), um vírus que é transmitido sexualmente. A infeção por HPV é muito comum na população sexualmente ativa, e na maioria dos casos desaparece de forma natural ao fim de 2 anos. Porém, quando a infeção perdura, o que é raro, e se a estirpe do HPV for de alto risco, o que é ainda mais raro, pode desenvolver-se um cancro. É neste cenário que o rastreio do cancro do colo do útero é determinante, uma vez que desde a infeção até ao eventual desenvolvimento de um cancro podem passar 20 a 25 anos. Durante este período alargado, o rastreio possibilita a deteção do vírus e/ou de lesões pré-cancerosas, ou mesmo cancros em estados iniciais, mais fáceis de tratar.
No entanto, o colo do útero ainda é o 2º mais mortal entre as mulheres jovens europeias. Para inverter estes dados é crucial que todas as mulheres façam o rastreio com regularidade - as mortes por cancro do colo do útero acontecem maioritariamente em mulheres que nunca fizeram o teste de rastreio. 
Durante muitos anos o principal método de rastreio de cancro do colo do útero foi a citologia cervical vaginal, mais conhecida por teste de Papanicolau. Após salvar muitas vidas, o teste de Papanicolau está a ser substituído por outro exame ainda mais preciso: o teste de HPV, que é um exame rápido e indolor que detecta a presença do HPV, em especial as estirpes de alto risco, nas células da região cervico-vaginal. 
No caso do exame detectar a presença do HPV não há razão para alarme. A infeção é muito comum nas pessoas sexualmente activas, e um teste positivo não significa que haja um cancro. Nestes casos o médico poderá requerer exames complementares e fazer um acompanhamento mais regular. O rastreio do cancro do colo do útero deve ser feito por todas as mulheres com mais de 25 anos e deve ser repetido a cada 5 anos. 
Apesar do rastreio do HPV ser muito eficaz, é fundamental seguir as medidas de proteção:
- Tomar a vacina contra o HPV, que faz parte do Programa Nacional de Vacinação e é gratuita para raparigas e rapazes. Quem está fora desta faixa etária pode também fazer a vacina, mas não será gratuita. A vacina previne 90% dos casos de cancro do colo do útero e a maioria dos casos de verrugas genitais.
- Reduzir o número de parceiros sexuais, para reduzir o risco de infeção por HPV. O uso do preservativo reduz esse risco, mas não o elimina: a transmissão do HPV dá-se por contacto da pele com pele e/ou mucosas, e ainda que o preservativo reduza a área de contacto, não a elimina. A proteção da transmissão do vírus ronda os 70%.

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A colonoscopia ainda assusta muita gente. Mas porquê recear um exame que previne o 2º cancro que mais mata em Portugal? Quais as vantagens de fazer a colonoscopia na idade recomendada? 
 
Todos os anos, cerca de 4000 portugueses perdem a vida por causa do cancro colorretal. Os números assustam, mas as estatísticas não têm que se manter iguais ano após ano: existe um exame médico que pode ajudar a baixar o número de vítimas, a colonoscopia.  
 
Pode não ter o nome mais apelativo, mas a colonoscopia não é um procedimento assim tão complicado: é um exame rápido (dura entre 20 a 60 minutos), pode ser feito com sedação para reduzir o desconforto, e não implica internamento. Além disso, a colonoscopia é um exame tão completo que, de uma só vez, permite: 
 
  • observar o interior do intestino grosso (cólon e reto) e detetar lesões pré-cancerosas;
  • recolher amostras biológicas (biópsias) para análise;  
  • remover pólipos intestinais, que são lesões do tubo digestivo que podem originar cancro. 
 
A maior vantagem da colonoscopia é a sua dupla ação preventiva. Por um lado, permite a remoção de pólipos, evitando que evoluam para cancro - uma possibilidade real, já que 40% de pessoas com mais de 50 anos tem pólipos no cólon. Por outro lado, permite a deteção cancros em desenvolvimento - outra mais-valia determinante, uma vez que as taxas de cura são muito mais elevadas quando o cancro é detetado numa fase inicial. 


Pode pensar-se na colonoscopia como uma ida ao dentista. É certo que ninguém anseia esse momento, mas só quem quiser arriscar-se a ficar com os dentes estragados, ou sem eles, é que nunca marca consulta. Na colonoscopia é igual: pode não ser o exame médico mais atrativo, mas as consequências de ter um cancro colorretal em estado avançado são imensamente piores.
 
A colonoscopia deve ser realizada pela primeira vez entre os 50 e os 55 anos e repetida de 10 em 10 anos, para quem não apresenta sintomas ou queixas.  No entanto, como cerca de 5% dos casos de cancro colorretal são hereditários, quem tem casos desse cancro na família deve ter mais precauções. Quem tem 1 familiar de 1º grau (pai, mãe, irmãos ou filhos) diagnosticado com cancro colorretal, ou adenoma, antes dos 60 anos ou quem tem 2 familiares de 1º grau diagnosticados com cancro colorretal deve fazer uma colonoscopia aos 40 anos ou 10 anos antes da idade mais jovem de diagnóstico de cancro do familiar (o que ocorrer primeiro) e repetir o exame a cada 5 anos. 


A necessidade de realizar a colonoscopia mais cedo também deve ser considerada, em conjunto com o médico, para quem apresentar os seguintes sintomas:  
  • alterações da cor das fezes (vermelho vivo ou muito escuras); 
  • sensação que o intestino não esvazia totalmente; 
  • alterações acentuadas e injustificadas dos hábitos intestinais. 
 
Rastreio organizado  
Foi recentemente implementado em Portugal o rastreio organizado do cancro colorretal através da pesquisa de sangue oculto nas fezes, para toda a população com idades entre os 50 e os 74. É um exame gratuito, a repetir de 2 em 2 anos, que consiste na recolha de uma amostra de fezes em casa que é enviada para análise em laboratório. A presença de sangue nas fezes não é motivo de alarme, nestes casos o médico irá solicitar exames adicionais para poder fazer um diagnóstico. Na maioria dos casos implicará a realização de uma colonoscopia para esclarecer a causa.

Endoscopia Digestiva Alta 
Tendo em conta que o cancro do estômago é o 3º mais mortal em Portugal, e que cerca de 70% da população portuguesa está infectada com Helicobacter pylori (Hp) - uma bactéria que está na origem de inflamações gástricas (gastrites), e pode levar ao desenvolvimento de cancro - deve discutir-se com o médico a eventual necessidade de fazer uma endoscopia digestiva alta. Este exame pode ser feito em conjunto com a 1ª colonoscopia aos 50 anos.

A endoscopia é um exame que consiste na introdução de um tubo flexível, através da boca, e permite examinar o esófago, o estômago e o duodeno, possibilitando ainda colher amostras e até fazer a remoção de lesões em estados muito iniciais.

Quem tem  sintomas do foro digestivo, como azia ou sensação de enfartamento constante, deve  consultar o médico, para discutir a necessidade de fazer uma endoscopia antes dos 50 anos.

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A mamografia é o exame de rastreio do cancro da mama usado em Portugal há mais de 30 anos. Será que ainda se justifica fazê-la? Quais as vantagens de fazer a mamografia regularmente?

O cancro da mama ainda é uma doença temível para muitas mulheres: é o cancro mais frequente entre as mulheres portuguesas e o 2º mais mortal. Felizmente, esta doença tem elevadas taxas de cura quando diagnosticado e tratado numa fase inicial do seu desenvolvimento. 

Apesar de ser um exame muito simples - trata-se somente de uma radiografia à mama - a mamografia continua a ser o exame de eleição no diagnóstico do cancro da mama. É um exame que permite  analisar em detalhe a estrutura interna da mama, e detetar cancros ou outras lesões de dimensões muito pequenas, em estadios iniciais, quando são mais facilmente tratáveis. Uma mulher que faça a mamografia com regularidade tem uma probabilidade muito maior de detetar um cancro na fase inicial, o que facilita o tratamento. 

A implementação a nível nacional do rastreio organizado por mamografia contribuiu para a diminuição da mortalidade por cancro da mama e para a redução do recurso à cirurgia de remoção completa da mama, ou mastectomia total, que se tornou uma opção mais rara. 


Todas as mulheres com idades entre 50 e 69 - que é quando o diagnóstico de cancro da mama é mais frequente - são convocadas gratuitamente de 2 em 2 anos para realizar uma mamografia, um exame médico simples, rápido e indolor.

Cerca de 5% dos cancros da mama podem ter uma origem hereditária. A proporção é pequena mas,  para evitar riscos, as mulheres que têm vários familiares que tiveram cancro da mama, ou familiares que tiveram cancro da mama antes dos 40 anos, ou mesmo um caso de cancro num familiar masculino, devem iniciar a vigilância mais cedo já que têm um risco maior de desenvolver cancro da mama. Nestes casos, o médico poderá aconselhar exames de diagnóstico adicionais, como uma ecografia ou uma ressonância magnética.


Mas como os números de casos de cancro da mama ainda são muito elevados, é fundamental conhecer outras medidas, além do rastreio, que permitem reduzir o risco da doença:

  • reduzir ao máximo o consumo de bebidas alcoólicas. 
  • evitar alimentos com grandes quantidades de açúcar e gorduras. 
  • realizar atividade física regularmente.
  • evitar ter excesso de peso (em especial após a menopausa).
  • quando possível, evitar o uso de tratamentos hormonais de substituição (a não ser com vigilância médica).

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Os rastreios organizados, também designados por rastreios de base populacional, permitem diagnosticar precocemente grandes grupos populacionais que não apresentam sintomas, de modo a reduzir a incidência e mortalidade por cancro. Em Portugal existem rastreios organizados para o cancro de mama, cancro colorrectal e cancro colo do útero. Organizar um rastreio é algo muito dispendioso, tanto em termos financeiros como de recursos. Assim, a implementação de rastreio deve obedecer a uma lógica de custo-benefício. Por outras palavras, as equipas de médicos e decisores políticos, devem avaliar os benefícios em termos de saúde em relação a um determinado investimento. O processo é complexo, e por vezes controverso, já que há algumas condições que são necessárias para que um rastreio de base populacional se justifique: 1. Um método de diagnóstico seguro que permita identificar com precisão e eficácia lesões precursoras de situações malignas ou estádios iniciais da doença. 2. Evidência científica que suporte as vantagens da implementação do rastreio de base populacional. 3. Disponibilidade de profissionais de saúde que tenham o treino e competências técnicas para fazer o rastreio. 4. Existência de tratamento para as pessoas que são identificadas com uma potencial lesão oncológica. 5. Um preço por diagnóstico que permita aplicar esse método a grupos populacionais muito grandes. Nem sempre é fácil definir protocolos que cumpram todos estes critérios, já que num sistema nacional de saúde há diversas áreas que necessitam de investimento, e nunca é possível dirigir os fundos e recursos humanos todos para a mesma área de intervenção.

Os exames de rastreio realizados no âmbito dos Programas de Rastreio do Cancro do Colo do Útero, Cancro da Mama e Cancro colorectal são gratuitos.

Sem dúvida! No caso dos cancros do tubo digestivo, por exemplo, os utensílios utilizados numa colonoscopia ou numa endoscopia – como a realizada ao esófago e ao estômago – são verdadeiros “canivetes suíços”, que permitem a visualização direta do interior dos órgãos e a recolha de fragmentos de biópsia ou mesmo a remoção de pólipos, entre outras funções. Existem ainda exames de rastreio completamente virtuais, como a colonoscopia virtual e a cápsula endoscópica (de momento apenas utilizada no intestino delgado), que não permitem a recolha de pólipos mas facilitam a visualização do interior do intestino. Na endoscopia por cápsula, por exemplo, um dispositivo de dimensões reduzidas (11 por 30 mm), semelhante a uma cápsula de medicamento, é deglutido pelo(a) examinado(a) com um pouco de água, para que atravesse todo o tubo digestivo. Não é necessária qualquer anestesia, mas há uma preparação prévia, para que o intestino esteja limpo e possa ser facilmente visualizado. Da cápsula fazem parte uma bateria, uma fonte de iluminação, um sistema de captação de imagens e um aparelho que regista estas imagens. Ao percorrer o intestino (o que pode demorar cerca de 10 horas, durante as quais a pessoa pode fazer a sua vida normal) o dispositivo regista todas as imagens. A cápsula é eliminada em 1 ou 2 dias nas fezes e não é reutilizada.

Sem dúvida! No caso dos cancros do tubo digestivo, por exemplo, os utensílios utilizados numa colonoscopia ou numa endoscopia – como a realizada ao esófago e ao estômago – são verdadeiros “canivetes suíços”, que permitem a visualização direta do interior dos órgãos e a recolha de fragmentos de biópsia ou mesmo a remoção de pólipos, entre outras funções. Existem ainda exames de rastreio completamente virtuais, como a colonoscopia virtual e a cápsula endoscópica (de momento apenas utilizada no intestino delgado), que não permitem a recolha de pólipos mas facilitam a visualização do interior do intestino. Na endoscopia por cápsula, por exemplo, um dispositivo de dimensões reduzidas (11 por 30 mm), semelhante a uma cápsula de medicamento, é deglutido pelo(a) examinado(a) com um pouco de água, para que atravesse todo o tubo digestivo. Não é necessária qualquer anestesia, mas há uma preparação prévia, para que o intestino esteja limpo e possa ser facilmente visualizado. Da cápsula fazem parte uma bateria, uma fonte de iluminação, um sistema de captação de imagens e um aparelho que regista estas imagens. Ao percorrer o intestino (o que pode demorar cerca de 10 horas, durante as quais a pessoa pode fazer a sua vida normal) o dispositivo regista todas as imagens. A cápsula é eliminada em 1 ou 2 dias nas fezes e não é reutilizada.

Vídeo a mim mesmo sobre rastreios de cancro


Da mesma forma que a Emília da Conceição, a protagonista do episódio sobre a mamografia,   decidiu fazer um vídeo para inspirar aqueles com quem mais se preocupa a cuidar da sua saúde, desafiamos-te a fazer o mesmo e a preparar um vídeo a ti mesmo, ao teu eu do futuro, para o alertares sobre a importância dos rastreios, no caso dele (ou antes tu!) se esquecer dessa informação.

Módulo 9 - Rastreios01.jpg 197.12 KB


Duração: 45 minutos de trabalho em aula + trabalho autónomo

Como fazer?

1. a turma deve ser dividida em 6 grupos (máximo 5 alunos por grupo).
Grupo 1 e 2 - Rastreio do Cancro Colo-rectal
Grupo 3 e 4 - Rastreio do Cancro do Colo do útero
Grupo 5 e 6 - Rastreio do Cancro da Mama
2. faz uma pesquisa sobre cada um dos rastreios oncológicos usando fontes oficiais (dica: espreita os links escolhidos para ti na secção “Explorar” e, já agora, há muita informação importante na secção “Saber+” e nos vídeos de introdução e discussão).
3. discute com o teu professor o que descobriste e avalia a relevância da informação;
4. juntamente com os colegas do teu grupo, escreve o guião da mensagem a gravar para o “vosso eu do futuro”. Cria uma mensagem com conteúdos informativos e rigorosos, mas não te esqueças que deve ser apelativa: afinal, estás a fazer uma campanha de informação que te pode ajudar no futuro! É importante que incluas as vantagens do rastreio, a idade e periodicidade com que deve ser feito, e a quem se destina. Todos os membros do grupo devem participar, e até podem dividir as tarefas como fazem as equipas profissionais. Deixamos-te aqui algumas das funções básicas na produção de um vídeo:
Realizador: Aquele que em conjunto com o operador de câmara escolhe o local e o enquadramento com que querem filmar.
Guionista: aquele que escreve o texto que os actores vão dizer.
Operador de câmara: o nome diz tudo.
Actores: aqueles que vão transmitir a mensagem para o vosso eu do futuro.
Editor e designer: o responsável por preparar o vídeo final, cortando o que não interessa, ou eliminando as versões (takes) que não ficaram tão bem. Se necessário, pode enriquecer o vídeo com títulos em texto ou gráficos.
Apesar das funções, trabalhem em equipa, e revejam em conjunto todas as decisões importantes.
5. Grava o teu vídeo, edita-o, e, se quiseres, junta-lhe texto ou efeitos especiais. Combina com o professor uma forma de o tornares acessível  - podes usar uma plataforma de vídeo como o youtube ou o vimeo, ou ainda um grupo privado numa rede social.
6. Organiza com a restante turma uma sessão de visualização dos 6 vídeos, e analisem os pontos fortes e fracos de cada um, relativamente aos seguintes parâmetros:
• rigor dos conteúdos
• relevância das mensagens
• qualidade da execução
• originalidade na abordagem.
7. Partilha o vídeo do teu grupo com os teus familiares em idade de fazer o rastreio.


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